Há uma inquietação profunda em meu ser que é: como o brasileiro não tem preocupação com a sua história. Certa vez, Olavo de Carvalho comentou muito didaticamente isso. Segundo ele, todo nacionalismo brasileiro é geográfico envolvendo "O petróleo é nosso", "A Amazônia é nossa", "O Brasil é nosso", todavia, não saberão responder nada a respeito das figuras históricas que são de dar orgulho a nação como José Bonifácio, Dom João, Pedro I, Pedro II, Princesa Isabel, Leopoldina, entre outras figuras que fizeram o país ser grande. No geral, o brasileiro tem memória curta.
A questão é, desde criança, admirei o "ter respeito pelos ancestrais". Conhecê-los! Sempre me incomodou minha família não se preocupar em conhecer mais que 3 ou 4 gerações.Um absurdo!
A questão é, desde criança, admirei o "ter respeito pelos ancestrais". Conhecê-los! Sempre me incomodou minha família não se preocupar em conhecer mais que 3 ou 4 gerações.Um absurdo!
A primeira situação que me fez despertar para isso foi quando assistir Mulan pela primeira vez. Sim! O desenho animado da Disney. A ligação, respeito e proteção vinda dos ancestrais era essencial para o sucesso não apenas de Mulan, mas de toda a família. Outra coisa bacana, foi quando conheci a Seicho-No-Ie e a ligação que eles tem com os ancestrais. Desde então, eu tento, de tempos em tempos, pesquisar cada vez mais sobre meu passado. Já encontrei fatos incríveis que quero compartilhar com vocês. Em especial, saber que sou da linhagem de Jovita Feitosa.
Quis que a história me presenteasse com minha própria Mulan, a Antonia Alves Feitosa, mais conhecida como Jovita Feitosa. Nasceu em Brejo Seco, local que seria o atual município de Araripe, em 8 de março de 1848. Mulher residente no império do Brasil, foi uma monarquista (assim como eu sou) muito patriota. Aos 17 anos, corta os cabelos com uma faca, coloca as roupas do tio, um chapéu de vaqueiro e corre para se alistar no exército. É descoberta através dos furos das orelhas, mas mesmo assim integra ao exercito brasileiro.
(...) sabia atirar, tinha vontade de lutar e estava disposta a aprender o que lhe ensinassem. Era mais do que ofereciam praticamente todos os homens. Como não havia norma que proibisse, o comando militar piauiense não apenas a aceitou nos treinamentos. Deu a ela divisas de primeiro sargento. Passou a usar farda com saiote.(Jornal O povo, 01 de abril de 2017)
Há muitas controvérsias sobre como essa história termina:
(...)O que ocorreu depois é motivo de mistério. Teria vivido romance com o engenheiro Guilherme Noot, cuja casa pegou fogo em outubro de 1867. Dentro foi encontrado corpo de mulher carbonizado, com punhal encravado no peito. (Jornal O povo, 01 de abril de 2017)
(...) Controvérsias não faltam. Primeiro, pesquisadores acreditam que ela, no Rio, casou-se com o engenheiro holandês Guilherme Noot e morreu aos 19 anos. Uns dizem que, abandonada, suicidou-se. Outros, que morreu num incêndio. Há ainda a hipótese de ter, enfim, ido à guerra. “Há comentários de que ela poderia ter ido como vivendeira, junto a um soldado, Eusébio, que, sem saber atirar, logo morreu. A que achavam ser sua esposa teria ‘ficado louca’, vestido uma farda e começado a atirar”, lembrou Kelma Mattos, em documentário de 2013. Se fato ou lenda, talvez nunca saberemos. (Diario de Pernambuco, Curiosamente )
A questão é que eu, como uma anti-feminista convicta, acredito em uma situação muito simples sendo elas: sempre houve um excesso de cuidado com as mulheres e Jovita não teve motivações de querer desafiar "o patriarcado", mas sim um desejo pessoal que a fez querer enfrentar as adversidades mostrando que era capaz. Ela não precisou de um movimento para lutar isso por ela. Assim como homens tiveram que conquistar seus direitos, as mulheres também iriam fazer isso independente da organização artificial do movimento feminista, a partir do momento que elas TIVESSE INTERESSE em fazer parte disso. O feminismo tenta apropriar-se de qualquer conquista de mulheres, para justificar a existência e "competência" do movimento. Mulheres que não estavam nem aí para "patriarcado", "opressão" etc. As vezes, muito pelo o contrário, compreendiam e respeitavam os homens e os cuidados que esses tinham com as mesmas.
Curta-metragem sobre Jovita Feitosa: https://vimeo.com/164593964
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